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Qual é o caminho para a transformação pessoal?


Obra: A Vida Secreta de Walter Mitty
Formato: Filme
Ano: 2013
Roteiro: Steve Conrad
Direção: Ben Stiller


Saudações, leitores e leitoras da ACPop! Depois de um breve recesso, cá estamos, prontos para o retorno às atividades! Quem acompanha o site por meio do nosso instagram deve ter visto que, na última semana, Anne e eu estivemos em uma pequena caminhada, bastante leve, bastante light. Sim, caríssimos leitores e leitoras: a ACPop percorreu todo o litoral sul de Alagoas, andando modestos 150km! Do litoral de Maceió até a foz do Rio São Francisco, na divisa com Sergipe, foram 5 dias de muita estrada, areia, sol, chuva, calos, dores e aprendizagens. Tudo isso foi parte do Ouricuri Caiçara, um projeto de matriz indígena criado pelo professor de Psiconeurobiologia e Análise do Comportamento, Gérson Alves. Cada dia passado e cada quilômetro percorrido no Ouricuri é um passo em prol da transformação pessoal dos seus participantes, de modo que é impossível voltar dessa desafiadora jornada da mesma forma que se iniciou. É por isso que no texto de hoje a ACPop vai falar sobre transformação pessoal, sobre o Ouricuri Caiçara e ainda por cima linkar tudo isso com um filme divertido e super inspirador. Quer saber como? Venham comigo nessa jornada, caros leitores, um passo de cada vez. 

A ACPop falou um pouco sobre o Ouricuri no segundo vídeo do canal. Confira acima.

Passo 1: O que é o Ouricuri? 
Como já supracitado, o Ouricuri Caiçara é uma prática de matriz indígena que, por meio de desafios, palestras e vivências, visa tirar os indivíduos da sua zona de conforto, testando seus limites físicos e psicológicos com o intuito de expandi-los. Tanto na modalidade mata quanto na modalidade caminhada é proibido o uso de comidas industrializadas, tecnologias, drogas lícitas ou ilícitas e outros elementos artificiais fornecidos pela vida moderna. São levadas para o evento comidas naturais como carne seca, farinha e frutas e os itens mínimos básicos para a sobrevivência. Nas palavras do fundador do evento, Gérson Alves: 
Esta prática tem ajudado muitas pessoas a redirecionarem projetos de vida ou a se posicionarem diferente frente à necessidade de conquista dos seus objetivos e metas. Porém, a proposta enfrenta inúmeros desafios. Estamos inseridos em uma realidade social em que as pessoas colocam o bem estar e o prazer como o ponto máximo de conquista. É natural escutarmos nas canções e nas vocalizações das pessoas a idéia de que o importante é ser feliz. Mesmo que seja uma felicidade fugaz e esvaziada. Para a maior parte dos jovens e dos modelos educativos atuais oferecer um estilo de vida sem esforço e com o máximo de diversão são os padrões a serem seguidos. Isso tem formado jovens cada vez menos perseverantes, que desistem fácil de seus ideais. Se o modelo atual associa todo e qualquer tipo de esforço como desgaste desnecessário e ridículo, podemos entender porque a juventude de hoje prefere os shoppings centers resfriados com ar condicionados, ficar deitados o dia inteiro na cama e sair apenas para ir a shows, festas ou gastar com roupas de marca e Mc Donalds.
O Ouricuri Caiçara, em suas diferentes modalidades, é uma experiência de mudança pessoal completa e imersiva, mas essa transformação não ocorre magicamente, tampouco sem dores, sofrimentos, privações e uma série outra de desafios. Muitas pessoas desejam uma grande e profunda transformação pessoal em suas vidas: querem ser mais magras ou mais musculosas, mais bonitas, mais inteligentes, mais ricas, mais bem sucedidas em algum aspecto, mas quando se dão conta do esforço que precisam desprender para isso, acabam desistindo de dar sequer o primeiro passo. Desejar e imaginar a conquista de algo é uma coisa, trilhar o caminho que o levará a essa conquista é outra completamente diferente. E é justamente aqui que chegamos no filme A Vida Secreta de Walter Mitty


Passo 2: Dê o primeiro passo.
Você nunca vai mudar se não fizer nada a respeito. Eu sei, eu sei... isso soa como algo extraído de um livro de autoajuda barato (alô Augusto Cury!). Por mais óbvio que isso possa parecer, Walter Mitty, protagonista do filme que leva seu nome, demorou muito tempo para entender essa simples e crucial verdade. 
Walter trabalhava no departamento de fotografias de uma renomada revista. Era um homem sensível, talentoso e imaginativo, mas muito acuado frente às adversidades da vida. Pode-se dizer que Mitty tinha o que chamamos de comportamento passivo (e já falamos sobre o tema em um artigo aqui). Quando o chefe abusivo esbravejava com Walter de forma injusta, quando a mulher dos seus sonhos passava ao seu lado, quando alguma situação exigia uma ação objetiva, rápida e enérgica, adivinhem o que Walter fazia? Nada. Ele baixava a cabeça para tudo e para todos, em um constrangedor silêncio de submissão. A única coisa próxima de um revide que o protagonista executava era imaginar de forma mirabolante como reagiria à situação, como se fosse um super herói magistral ou um aventureiro destemido. Mas, claro, tudo ficava apenas na cabeça dele, como se ele estivesse dentre de um filme ou em uma história em quadrinhos. Citando novamente Gérson Alves:

Um homem não pode viver só de livros e filmes. Um homem não pode viver só para contar a história e façanha que outros fizeram. Um homem precisa passar por frio, fome, sede e dores, para poder ele mesmo escrever uma história que se orgulhe. Um homem precisa escrever uma história que ele viveu para poder em sua velhice olhar para trás e sentir que fez tudo que podia ter feito para não ser amargo.

Quando Walter compreendeu que precisava escrever a própria história, ele começou a trilhar o caminho que o levou à transformação pessoal. Mas como isso aconteceu? O que motivou Walter para a ação? 



Passo 3: Encarando desafios.
No filme, Walter fica encarregado de produzir a última foto da última edição impressa da revista Life - que em breve migrará para a versão online, apenas. Acontece que o negativo desta foto está com o fotógrafo aventureiro Sean O’Connel, lá no monte Himalaia. Cansado de ser considerado incompetente e sem ação, ao mesmo tempo em que é impulsionado pela mulher alvo de sua paixão, Walter Mitty para de sonhar e começa a viver. O filme mostra o protagonista se lançando numa aventura inacreditável rumo ao Himalaia, passando por paisagens inóspitas e se metendo em situações desafiadoras pelas quais Mitty nunca passara antes. Quando Walter retorna da viagem, ele está totalmente transformado. Sua expressão está mais confiante, seus comportamentos mais assertivos, suas ações, ativas. Não se cala mais ante as ofensas e insultos, adquire uma postura de luta e de revide ante a vida, tomando atitude, inclusive, para conquistar a mulher de seus sonhos.
A transformação pessoal de Walter não surgiu do nada, ou "de dentro para fora", como pregam os mentalistas e os gurus fajutos. Walter só evoluiu para melhor à medida em que se expôs às contingências do seu ambiente real. Quando "meteu as caras" no mundo com bravura, encarando os desafios, apesar do medo, da dor, do frio, da fome e da solidão, ele se tornou um novo homem.

Assim como Walter Mitty, vi diversos guerreiros e guerreiras caiçaras voltando do Ouricuri caminhada de uma forma diferente. Vi-os encarando suas dores, seus calos, suas lesões nos pés, suas limitações físicas e psicológicas. Vi muita gente pensando em desistir, mas que insistia e persistia, encarando com altivez mais um dia de caminhada. E assim, passo atrás de passo, muitos conseguiram concluir o evento. Vi muitas pessoas dessa forma, inclusive a mim mesmo, trilhando um caminho de luta e sacrifício rumo à transformação pessoal. Não são poucos os caiçaras que passaram pela experiência e relataram mudanças diversas em suas vidas: nas relações interpessoais, no foco em prol dos objetivos que construíram, na capacidade de planejamento, na solidificação da perseverança e na persistência mesmo diante dos obstáculos e dificuldades da vida cotidiana.



O Ouricuri caiçara fez e faz o mesmo convite que a vida fez a Walter Mitty, um convite rumo à transformação pessoal que só pode ser encontrada se trilhada em um caminho de esforço e enfrentamento, passo a passo, dia após dia, juntamente a pessoas guerreiras e dispostas a concluir o trajeto até o fim. Eu falei em fim? Não, a estrada nunca termina - apenas muda de forma. Seja ela feita de asfalto, areia ou de pedras, é preciso sempre trilhá-la com força, fôlego e bravura. Rumemos, então. Adiante!

Porque se é pop, a gente analisa!

Elton SDL

REFERÊNCIAS

SILVA JÚNIOR, Gérson Alves da. Quem quer escrever sua história? 2012. Disponível em: <http://www.cadaminuto.com.br/noticia/175692/2012/06/23/quem-quer-escrever-sua-historia>. Acesso em: 02 ago. 2018.
SILVA JÚNIOR, Gérson Alves da. Pessoas que reclamam, mas nada fazem, 2012. Disponível em: <http://www.cadaminuto.com.br/noticia/178656/2012/07/15/pessoas-que-reclamam-mas-nada-fazem>. Acesso em: 02 ago. 2018.

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