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Você tem usado bem seu tempo? La Casa de Papel pode te ajudar!


Obra: La Casa de Papel
Formato: Série
Ano: 2017
País de Origem: Espanha
Criador: Álex Pina
Produtora: Vancouver MediaAtresmedia

Todas as decisões que tomamos no passado levam-nos inexoravelmente ao futuro.
Tóquio, episódio 6


OBSERVAÇÃO: Este texto contém spoilers sobre a primeira temporada da série. 

O tempo é muito mais valioso do que imaginamos.  Cada passo é executado em um segundo que não volta mais. A dimensão finita da vida pode motivar alguns e paralisar a outros, mas o que La Casa de Papel nos diz é que o tempo é, talvez, o bem mais precioso que existe. A série retrata a história de um assalto à Casa da Moeda espanhola executado por oito personagens especialistas em delitos (roubos, assassinatos, tráfico de mulheres e etc.) e cuidadosamente planejado pelo líder (O Professor), personagem que comanda o plano estratégico enquanto a equipe o operacionaliza. Para essa equipe de criminosos, o tempo é dinheiro - literalmente. Aos personagens são designados nomes de cidade e todo o plano é construído com o intuito de ganhar tempo para que as notas tão almejadas sejam produzidas no banco. A tarefa difícil, no entanto, não seria entreter a polícia, mas fazê-lo sem violentar reféns. Para o controle de tudo isso e possíveis negociações, então, o líder tornou-se a figura principal no desfecho da trama, embora estivesse longe da pressão que reféns e criminosos vivenciavam durante o assalto. Se você assistiu a primeira temporada disponível na Netflix deverá ter notado que alguns flashbacks são apresentados mostrando cenas de treinamento em que O Professor antecipa imprevistos e rotas de fuga. Mas será que os flashbacks nos mostram somente o que necessitamos para compreender como o plano foi pensado?

Durante a narrativa, diversas vezes somos expostos a situações corriqueiras em que os personagens vivenciaram e produziram um efeito sobre a possibilidade de serem capturados. Quando Denver é acusado de ter deixado o botão de uma terno com digitais de Berlim no carro Ibiza 92,  o flashback nos mostra que esta confusão só aconteceu porque, em algum momento do passado, Denver escolheu descontrair-se em um festival próximo ao local onde estavam hospedados. O mesmo aconteceu com a história de Rio e Tóquio ao discutirem a relação pessoal durante o plano enquanto uma das reféns utilizava o celular e contactava a polícia. 



Onde quer que tenham passeado, cada passo que deram os levaram para o futuro que vivenciavam - tanto os momentos de preparação quanto os de descontração. O que La Casa de Papel nos ensina, ainda que não seja esse o intuito, é que não importa quão livres queiramos nos sentir, nosso futuro depende de escolhas acertadas hoje. Nos ensina, também, a importância de reconhecer que podemos falhar e nos prepararmos para o plano B sem problema algum, desde que nos antecipemos aos imprevistos. O que tudo isso tem a ver com Análise do Comportamento?

Bem, as implicações são de ordem prática. Mesmo trabalhando cotidianamente com os conceitos desenvolvidos no estudo do comportamento humano (já bem citado em outros artigos), consideramos necessário pensarmos de que modo a série pode contribuir ao desenvolvimento pessoal daquele que a assiste. Nesse sentido, cabe a reflexão: se nosso sonho for algo legal e tão aparentemente impossível como o sonho d'O Professor, o quão dispostos estaremos para fazer escolhas acertadas, de acordo com o planejado e, mesmo assim, gastar um bom tempo em nossa vida traçando planos B, C ou D?


Aliás, se há uma característica que me intriga nesse personagem é justamente sua habilidade de prever as ações daqueles que impedirão a realização de seu sonho. É a minúcia com a qual o personagem desenvolve os diálogos decisivos, os olhares e encontros aparentemente casuais com a inspetora, como cada detalhe havia sido estrategicamente pensado durante anos e desenvolvido como que em um xadrez - as jogadas do oponente estavam sendo antecipadas em 5 ou 6 possibilidades.

A Análise do Comportamento é uma ciência cujo fim em si mesmo é a previsão de fenômenos, assim como qualquer outra ciência: sua razão de ser define-se pela possibilidade de prever fenômenos e trabalhar em termos probabilísticos. Mas não é preciso ser um analista do comportamento para planejar a própria vida e prever situações! Podemos fazer isso em nosso dia, ao analisarmos as consequências que produzimos quando nos comportamos do modo como o fazemos. Quais objetivos pretendemos alcançar? Em nome de qual sonho? O que estou fazendo para concretizar a imagem que quero ter de mim mesma em 5, 10 ou 15 anos? Se der errado, quais serão nossas rotas de fuga? Se somos capazes de gerir nossa vida, esses seriam os primeiros passos. Os passos seguintes consistirão de mudança, de ação.  

A linha de raciocínio do professor parece ser promissora, não? Que tal sermos autores de nossa própria história?!
Gostaríamos de explorar outras características da série e fazer outras análises mas, antes de tudo, gostaríamos de ouvir você. Há algum outro aspecto sobre os personagens que te interessou? Escreva um comentário aqui na publicação e conte p/ gente! Estamos curiosos p/ saber o que vocês acharam da série! 😌

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Anne Maia


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